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Uma história sobre a essência da liderança, idéias principais e análise.

UMA HISTÓRIA SOBRE A ESSÊNCIA DA LIDERANÇA IDÉIAS PRINCIPAIS E ANÁLISE
(Trabalho Apresentado À Disciplina Gestão de Conflitos, Ministrada Pela Profª Vânia Reis, Andrea Daher Da Silva, Elaine Cristina Tomás Pimenta, Fabíola Costa E Silva,Marlene Elias De Souza Pozzatto)

HUNTER, James C. O monge e o executivo: uma história sobre a essência da liderança. 12. ed. Rio de Janeiro: Sextante, 2004.

 “As idéias que defendo não são minhas. Eu as tomei emprestadas de Sócrates, roubei-as de Chesterfield, furtei-as de Jesus. E se você não gostar das idéias deles, quais seriam as idéias que você usaria?” Dale Carnegie

“Estar no poder é como ser uma dama. Se tiver que lembrar às pessoas que você é, você não é.” Margareth Thatcher

Ouvir é uma das habilidades mais importantes que um líder pode escolher desenvolver.

O autor propõe a reflexão sobre a terrível responsabilidade assumida quando é feita a opção por ser líder, citando que nos comprometemos voluntariamente a ser pai, mãe, esposo ou esposa, chefe, treinador, professor e acrescentando que ninguém é forçado a desempenhar nenhum destes papéis e estamos livres para deixá-los quando quisermos. O papel do líder é extremamente exigente.

Sempre que uma ou mais pessoas se reúnem com um propósito, há uma oportunidade de exercer a liderança. Boa notícia: compartilhar os princípios da liderança, dar as chaves da liderança. Má notícia: cada um deve tomar a decisão sobre a aplicação destes princípios a suas vidas.

Exercer influência sobre os outros, que é a verdadeira liderança, está disponível a todos, mas requer uma enorme doação pessoal.

Propõe que gerência não é algo que você faça para os outros. Você gerencia seu inventário, seu talão de cheques, seus recursos. Você pode até gerenciar a si mesmo. Mas você não gerencia seres humanos. Você gerencia coisas e lidera pessoas.

Sugere que liderança é a habilidade de influenciar pessoas para trabalharem entusiasticamente visando atingir aos objetivos identificados como sendo para o bem comum. E conceitua habilidade como capacidade adquirida. Define então que liderança é uma habilidade que pode ser aprendida e desenvolvida por alguém que tenha desejo e pratique as ações adequadas.

Se liderar é influenciar os outros, como desenvolver essa influência? Como levar as pessoas a fazer o que desejamos? Como receber suas idéias, confiança, criatividade e excelência, que são, por definição, dons voluntários?

O autor traz os conceitos definidos por Max Weber, um dos fundadores da sociologia, em seu livro A teoria da organização econômica e social para compreensão da diferença entre poder e autoridade:

• Poder: é a faculdade de forçar ou coagir alguém a fazer sua vontade, por causa de sua posição ou força, mesmo que a pessoa preferisse não o fazer.
• Autoridade: a habilidade de levar as pessoas a fazerem de boa vontade o que você quer por causa de sua influência pessoal.

Ressalta que poder é definido como uma faculdade (talento, dom, poder de fazer algo, capacidade) e autoridade como uma habilidade, ou seja, não é necessário ter cérebro ou coragem para exercer poder. Crianças de dois anos são mestras em dar ordens aos pais. Estabelecer autoridade sobre as pessoas requer um conjunto especial de habilidades.

O poder pode ser vendido, comprado, dado ou tomado. As pessoas poder ser colocadas em cargos de poder porque são parentes ou amigas de alguém, porque herdaram dinheiro ou poder. A autoridade não pode ser comprada, nem vendida, nem dada ou tomada. A autoridade diz respeito a que você é como pessoa, a seu caráter (tipo psicológico, especificidade, cunho, marca) e à influência que estabelece sobre as pessoas.

Trazer o exemplo para a casa: por quanto tempo usar o poder funciona? O poder corrói os relacionamentos. Ex: Adolescente rebelde, inquietação de um empregado.

Há vezes em que se deve exercer o poder. Seja para colocar limites em nossa casa ou para demitir um empregado. Sempre que precisamos recorrer ao poder é porque nossa autoridade foi quebrada.

O autor propõe como exemplos de qualidades de pessoas que têm autoridade reconhecida pelos demais a honestidade, bom exemplo, cuidado, compromisso, bom ouvinte, capacidade de conquistar a confiança das pessoas, tratamento respeitoso com as pessoas, capacidade para encorajar as pessoas, atitude positiva e entusiástica e gostar das pessoas.

Todas as qualidades desta lista são comportamentos e comportamento é escolha!

Esses traços podem ter sido desenvolvidos muito cedo e tornaram-se comportamentos habituais. Alguns hábitos continuam a evoluir e amadurecer em altos níveis, enquanto outros mudam pouco a partir da adolescência.

O desafio para o líder é escolher traços de caráter que precisam ser trabalhados e aplicar-lhes estímulo para serem desenvolvidos. Desafiar-nos para mudar nossos hábitos, nosso caráter, nossa natureza.

Liderar é conseguir que as coisas sejam feitas através das pessoas, e haverá sempre duas dinâmicas em jogo – a tarefa e o relacionamento. Assim, liderança é executar a tarefa enquanto se constroem os relacionamentos. Os líderes verdadeiramente grandes têm a capacidade de construir relacionamentos saudáveis e a confiança é a cola que gruda os relacionamentos. A regra nº 1 dos negócios é: se não correspondermos às necessidades dos nossos clientes, alguém o fará. Isso vale para clientes internos e externos.

“Se você não mudar a direção, terminará exatamente onde partiu.” – Antigo Provérbio Chinês.

Sobre a arte de ouvir o autor ensina que quando você interrompe as pessoas no meio de uma frase, está enviando mensagens negativas/desrespeitosas:

1-Se você me interrompeu, é porque não estava prestando muita atenção ao que eu dizia, já que sua cabeça estava ocupada com a resposta.
2- Se você se recusa a me ouvir, não está valorizando minha opinião.
3- Você deve acreditar que o que tem a dizer é muito mais importante do que o que eu tenho a dizer.
E os sentimentos devem se expressar através das ações.

O autor propõe a necessidade constante de revisão de paradigmas, que são padrões psicológicos, modelos ou mapas que usamos para navegar na vida. Nossos paradigmas podem ser valiosos e até salvar nossas vidas quando usados adequadamente. Mas podem tornar-se perigosos se os tomarmos como verdades absolutas, sem aceitarmos qualquer possibilidade de mudança, e deixarmos que filtrem as novas informações e as mudanças que acontecem no correr da vida.

É importante desafiar os paradigmas a respeito de nós mesmos, do mundo em torno de nós, de nossas organizações e das outras pessoas.

“Não vemos o mundo como ele é, mas como nós somos.” (Mark Twain)

Um exemplo de velho paradigma citado é o da hierarquia da pirâmide, proposta inicialmente para o exército e reproduzida nas organizações.


Cliente
Inimigo

O autor propõe um novo paradigma, o da pirâmide invertida, onde os clientes são o foco principal, os associados (empregados), vem a seguir, pois são os mais próximos dos clientes, no sentido de buscar servir para atender suas necessidades. Na mudança de paradigma, os supervisores passam a ver seus subordinados como clientes. Isso requer uma mudança de atitude, revendo o paradigma de que ser líder é impor regras e dar ordens à camada seguinte. Em vez disso, o papel do líder é servir, identificar e satisfazer necessidades legítimas das pessoas. Necessidade é diferente de vontade.

Cliente

Assim sendo, um líder deve se perguntar constantemente quais são as necessidades das pessoas que lidera. Segundo Abraham Maslow em sua teoria da hierarquia de necessidades humanas, existem cinco níveis de necessidades, sendo o nível mais baixo as necessidades fisiológicas, em seguida segurança e proteção, posteriormente pertencimento e amor, logo após auto-estima e por último auto-realização. Desta forma, as necessidades dos níveis mais baixos devem ser satisfeitas primeiramente para que as demais possam ser alcançadas.
                           
“Quem quiser ser líder deve ser primeiro servidor. Se você quiser liderar, deve servir.” Jesus Cristo.

O autor ressalta a importância da opinião contrária e da interdependência de pessoas que adotam visões divergentes para o alcance de um equilíbrio maior na tomada de decisão. E para tanto devemos ter cuidado antes de fazermos julgamentos rápidos, o que pode nos levar a percepções limitadas a respeito da diferença.

Um novo modelo de liderança é proposto, utilizando o modelo da pirâmide invertida. A base dessa pirâmide é constituída pela vontade, que seria o produto da soma das intenções seguidas de ações, proporcionando a possibilidade de escolha. É preciso ter vontade para escolhermos amar, isto é, sentir as reais necessidades e não os desejos daqueles que lideramos. Para atender a essas necessidades, precisamos nos dispor a servir e até mesmo nos sacrificar. Quando servimos e nos sacrificamos, exercemos autoridade ou influência. E quando exercemos autoridade com as pessoas, ganhamos o direito de sermos chamados de líderes.

James Hunter continua expondo seus conceitos, argumentando que para compreender liderança, autoridade, serviço e sacrifício é importante conhecer a palavra amor. Quando Jesus fala de amor no Novo Testamento, usa a palavra agapé para descrever um amor incondicional, baseado no comportamento com os outros, sem exigir nada em troca. O amor traduzido pelo comportamento e pela escolha, não o amor como sentimento ou emoção, mas o amor ação. Ele se refere ao amor realizador e impulsionador, que nos estimula a construir novas realidades.

“Nem sempre posso controlar o que sinto a respeito de outra pessoa, mas posso controlar como me comporto em relação a outras pessoas”.

“O amor é o que o amor faz”.

O autor vai buscar na Bíblia, na primeira Carta do Apóstolo Paulo aos Corintios (capítulo 13) escrito há mais de dois mil anos, a definição do amor agapé. “O amor é paciente, bom, não se gaba nem é arrogante, não se comporta inconvenientemente, não quer tudo só para si, não condena por causa de um erro cometido, não se regozija com a maldade, mas com a verdade, suporta todas as coisas, agüenta tudo”.
Qualidades de caráter como paciência, bondade, humanidade, respeito, generosidade, perdão, honestidade, compromisso traduzem o conceito de liderança nos dias atuais.

Para ser um líder servidor, essas qualidades são necessárias e podem ser adquiridas com dedicação e vontade própria.

1  - Paciência – mostrar autocontrole em face da adversidade.
O líder tem o dever de fazer com que as pessoas se responsabilizem por suas tarefas, apontando suas deficiências. Enfatizar os pontos fortes e as virtudes dos liderados, e não seus pontos fracos.

2  - Bondade – dar atenção, apreciação e incentivo.
As pessoas gostam de ser ouvidas, de saber que alguém se preocupa com elas. Precisamos aprender a ouvir ativamente, ou seja, silenciar toda a nossa conversação interna enquanto ouvimos outra pessoa. Isso exige sacrifício, uma doação de nós mesmos para bloquear o ruído interno e entrar no mundo da pessoa que está falando. Temos que ouvir e procurar ver as coisas como quem fala as vê e sentir as coisas como quem fala as sente. Essa identificação com quem fala se chama empatia e requer muito esforço.
Como o papel do líder é identificar e satisfazer as necessidades legítimas dos seus liderados, é necessário prestar atenção às pessoas. “Amor não é como nos sentimos a respeito dos outros, mas como nos comportamos com os outros”.

O autor argumenta que quando o líder começa a procurar o bem nos outros, ficando atento para o que as pessoas fazem bem, de repente começa a ver coisas que nunca tinha visto antes. É o que, segundo ele, na psicologia é chamado de “percepção seletiva”.

3  - Humildade – ser autêntico, sem pretensão, orgulho ou arrogância.
Espera-se que o líder seja verdadeiro para com as pessoas, sem individualismo, ou seja, é pensar menos em si mesmo. Temos que reconhecer que precisamos uns dos outros.


4 - Respeito – tratar as pessoas como se fossem importantes.
O líder deve ter um interesse especial no sucesso daqueles que lidera, pois faz parte de sua responsabilidade apoiar e incentivar seus liderados para que se tornem bem sucedidos.

Tudo o que o líder faz, envia uma mensagem. Portanto, a respeito dos atrasos para os compromissos, as mensagens enviadas são:
• Quando uma pessoa se atrasa, ela passa a mensagem que o seu tempo é mais importante do que o dos outros;
• Ela também passa a mensagem de que a outra pessoa não é importante para ela;
• Por fim, ela passa a mensagem de que não é muito honesta, porque pessoas honestas cumprem a palavra e seguem os compromissos, inclusive os de tempo.

5 - Generosidade – satisfazer as necessidades dos outros, mesmo que isso implique sacrificar suas próprias necessidades e vontades.

O líder deve satisfazer as necessidades e não vontades, ser um servidor, não escravo.

6. Perdão – desistir de ressentimento quando enganado.
Devemos ter um comportamento afirmativo com as pessoas, que consiste em ser aberto, honesto, mas sempre de maneira respeitosa. Perdoar é lidar de um modo afirmativo com as situações que aparecem e depois desapegar-se de qualquer resquício de ressentimento. As pessoas que guardam ressentimentos durante muito tempo, se tornam amargas e muito infelizes.

7. Honestidade – ser livre de engano.
Hunter destaca que a honestidade é a qualidade que a maioria das pessoas espera de seu líder. A honestidade implica esclarecer as expectativas das pessoas, tornando-as responsáveis, falando a verdade, dando às pessoas um retorno, sendo firme, previsível e justo.

8. Compromisso – ater-se às suas escolhas.
Se você não estiver comprometido como líder, provavelmente desistirá de exercer autoridade e voltará a uma posição de poder. O verdadeiro compromisso envolve o crescimento do indivíduo e do grupo, juntamente com o aperfeiçoamento constante. “Quando optamos por amar e doar-nos aos outros, estamos aceitando ser pacientes, bons, humildes, respeitosos, abnegados, generosos, honestos e comprometidos". Esses comportamentos exigirão que nos coloquemos a serviço dos outros e nos sacrifiquemos por eles.
O autor retoma o modelo de liderança apresentado no capítulo 3.

“Temos que escolher se queremos ou não nos comportar de maneira amorosa. Quando amamos os outros e nos doamos a eles, precisamos servir e nos sacrificar. Quando servimos e nos sacrificamos, construímos autoridade. E quando tivermos construído autoridade com as pessoas, então ganharemos o direito de sermos chamados de líderes”.

“Amar não é como você se sente em relação aos outros, mas como se comporta em relação aos outros”.

Segundo Hunter, o líder deve estar preocupado em criar um ambiente saudável para as pessoas crescerem e terem sucesso.

Ele cita o livro de Stephen Covey, “Os 7 hábitos de pessoas altamente eficazes” para explicar a metáfora da conta relacional. Ela nos ensina a importância de manter saudável o equilíbrio dos relacionamentos com as pessoas importantes de nossas vidas, inclusive aquelas que lideramos. Ou seja, quando conhecemos uma pessoa, o saldo da conta de relacionamento com ela é neutro, porque vamos iniciar um relacionamento. À medida que o relacionamento amadurece, porém, fazemos depósitos e retiradas nessas contas imaginárias, baseadas na forma como nos comportamos.

Quando somos honestos e confiáveis, fazemos depósitos nessa conta, porém quando somos desonestos, agressivos, arrogantes fazemos retiradas nessa conta bancária relacional. Um exemplo de como fazer uma retirada relacional é punir alguém publicamente. Por outro lado, quando elogiamos, consideramos e reconhecemos alguém publicamente, fazemos um depósito em nossa conta com a pessoa que elogiamos, como também fazemos depósitos nas contas que temos com aqueles que observam.

“Todos estão sempre observando o que o líder faz”.

“Tudo o que o líder faz envia uma mensagem”.

O líder pode fornecer todas as condições para as pessoas mudarem, mas são as pessoas que devem fazer as próprias escolhas.

Segundo o autor o pensamento tradicional nos ensina que os pensamentos e os sentimentos dirigem nosso comportamento. Nossos pensamentos, sentimentos, crenças – nossos paradigmas – exercem de fato grande influência sobre nosso comportamento. A praxi ensina que o oposto também é verdadeiro.

Nosso comportamento também influencia nossos pensamentos e nossos sentimentos. Quando nos comprometemos a concentrar atenção, tempo, esforço e outros recursos em alguém ou algo durante um certo tempo, começamos a desenvolver sentimentos pelo objeto de nossa atenção, ou, em outras palavras, nos tornamos “ligados” a ele.

Hunter diz que devemos criar músculos emocionais, o que significa que devemos forçar a dar consideração e respeito a alguém de quem não gostamos, ou comportar de maneira amorosa com alguém nada amável.

Freud plantou a semente do determinismo significa que para cada efeito ou evento, físico ou mental, há uma causa.

Freud afirmou que os seres humanos essencialmente não fazem escolhas, e que o livre-arbítrio é uma ilusão. Ele acreditava que nossas opções e ações são determinadas por forças inconscientes das quais nunca nos damos conta completamente. Freud afirmou que, se conhecermos suficientemente a ascendência genética e o ambiente de uma pessoa, poderemos predizer seu comportamento e até mesmo as escolhas individuais que fará.

“Através da disciplina, podemos fazer com que o não-natural se torne natural, se torne um hábito”.

Quatro estágios necessários para adquirir novos hábitos habilidades:

• Estágio um – Inconsciente e Sem habilidade. É o estágio em se ignora o comportamento e o hábito. É o inconsciente ou desinteresse em aprender a prática e, despreparado. Ex. antes de fumar o primeiro cigarro;
• Estágio dois – Consciente e Sem Habilidade. É o estágio em que toma consciência de um novo comportamento, mas ainda não desenvolveu a prática. Ex. quando fuma o primeiro cigarro;
• Estágio três – Consciente e Habilidoso. É o estágio e que está se tornando cada vez mais experiente e se sente confortável com o novo comportamento ou prática. Ex. quando se saboreia o cigarro;
• Estágio quatro – Inconsciente e Habilidoso. É o estágio em que já não tem que pensar. Ex. fumante.

As qualidades construtoras de caráter, paciência, habilidade, humildade, abnegação, respeito, generosidade, honestidade, compromisso. São os hábitos que precisamos desenvolver e amadurecer para nos tornar líderes de sucesso.

“Um líder que sabe exercer influência é um líder cujas habilidades estão se desenvolvendo”.

“Nós não temos que gostar dos nossos colegas e sócios, mas, como líderes, somos instados a amá-los e tratá-los como gostaríamos de ser tratados.” (Vince Lombardi)

Segundo Hunter a alegria é um sentimento muito mais profundo que a felicidade, e não depende de circunstâncias externas. A maioria dos grandes líderes que se apoiaram  na autoridade tem falado dessa alegria – Buda, Jesus Cristo, Gandhi, Martin Luther King. Alegria é satisfação interior e a convicção de saber que você está verdadeiramente em sintonia com os princípios profundos e permanentes da vida. Servir aos outros nos livra das algemas e do ego e da concentração em nós mesmos que destroem a alegria de viver.

“Amar aos outros, doar-nos e liderar com autoridade nos forçam a quebrar nosso muros de egoísmo e ir ao encontro das pessoas. Quando negamos as nossas próprias necessidades e vontades e nos doamos aos outros, crescemos. Tornamo-nos menos autocentrados e mais conscientes dos outros. A alegria é uma conseqüência dessa doação”.

“Amar, servir e doar-nos pelos outros nos forçam a sair do egocentrismo. Amar aos outros nos faz sair de nós mesmos. Amar aos outros nos força a crescer”.

“Uma jornada de duzentos quilômetros começa com um simples passo.” (Provérbio chinês)

ANÁLISE CRÍTICA

Sabemos que precisamos aprender muito. Toda discussão e debate são muito importantes. Precisamos estar atentos às informações e transformá-las em conhecimento. Quanto mais soubermos sobre o que está acontecendo, maior será nossa capacidade de desenvolvimento. Ela cresce em progressão geométrica.
Entretanto, o que realmente temos de novo sobre liderança? Mesmo sendo de fundamental importância acompanhar o que acontece, a quantidade de artigos, teorias, pesquisas e livros a respeito do tema é imensa. Por mais que tente, temos visto as mesmas coisas de sempre publicadas, divulgadas e retratadas apenas com formas e roupagens diferentes.

Essa foi a percepção que tivemos após a conclusão da leitura do livro em questão. Podemos dizer que os conceitos abordados por James Hunter são conceitos comuns nos livros que tratam desta temática, apresentados com nova roupagem e uma linguagem atraente ao leitor, por ser bem humorada e facilitar a associação dos conceitos expostos com as situações cotidianas.

O grande mérito deste livro, no nosso ponto de vista, é tornar os conceitos desenvolvidos na academia mais inteligíveis, pois a narrativa utiliza vocabulário mais comum, tornando estes conceitos mais acessíveis a um número maior de pessoas, principalmente as pessoas que estão alijadas da produção de conhecimento acadêmico.

Um conceito interessante trazido pelo autor, mas nem por isso novo, e que está próximo do cotidiano destas pessoas é o de livre-arbítrio, conceito este que se tornou a base das sociedades modernas, com seu modo de produção capitalista e que seria, segundo o livro, também a base da pirâmide da liderança – a vontade (intenção + ações). De acordo com este pressuposto, toda e qualquer pessoa que tenha vontade para chegar ao topo da pirâmide, tem condições de alcançá-lo. E aí se encontra o grande paradoxo, visto sabermos que não existe no sistema capitalista atual, lugar para todos os seres humanos que tenham a intenção e realizem ações neste sentido.
Outro conceito que parte do acima citado livre-arbítrio, refere-se ao de amor, passo seguinte da pirâmide de liderança exposta no livro como sendo a forma ideal de uma pessoa ser reconhecida enquanto autoridade e exercer a liderança de forma eficaz. O conceito de amor, (agapé - extraído do Novo Testamento) refere-se a um amor incondicional, que requer caridade, sacrifício e vontade, que se traduz em comportamento.  E como todo comportamento é escolha, o autor propõe que podemos escolher nos comportar de forma a amar as pessoas a nossa volta, no caso das empresas, os subordinados, perceber e identificar suas reais necessidades, em detrimento dos seus desejos, para agir de forma a supri-las, ou proporcionar condições a estes para que as supram. Este também é um outro paradoxo interessante, já que na base do sistema capitalista vigente encontra-se o conceito de troca e mais-valia, que é incompatível com o amor incondicional, enquanto comportamento altruísta.

Neste discurso comum sobre a liderança atual, quando uma pessoa assume o papel de líder ela deve ter ou desenvolver rapidamente habilidades e competências tão numerosas que se torna difícil imaginar um ser humano capaz de tal proeza, salvo exemplos trazidos pelo próprio livro como Jesus Cristo, Ghandi ou Buda.

Entre estas competências, o autor cita algumas como sendo fundamentais para uma pessoa ser reconhecida enquanto autoridade e, portanto um líder, entre elas: honestidade, confiabilidade, cuidado, comprometimento, bom ouvinte, bom modelo, respeito, incentivador, entusiasta, gostar das pessoas.

Além destas, podemos citar mais algumas que se encontram facilmente nos livros que tratam do tema: auto-consciência, auto-gerenciamento, flexibilidade, integridade, otimismo, empatia, habilidade social, entre muitos outros.

Buscando fazer um paralelo entre este conceito moderno de liderança e a gestão de conflitos, podemos supor que um líder que desenvolva estas competências citadas, terá maior habilidade para enfrentar dificuldades e buscar soluções para os conflitos que surgem no cotidiano, bem como antecipá-los também com este objetivo.